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  • Projeto

    Casa Piná
  • Local

    Florianópolis - SC
  • Área

    436m²
  • Ano

    2021
  • Construtora

    RGA Engenharia
  • Interiores

    Sarah Pirath Abrahão
    Francielle Dalsasso
  • Análise Conforto Térmico

    Ticiana Weiss e Daniel Trento
  • Estrutura

    Marco Antônio Rodruigues

Descrição

Um projeto de arquitetura frequentemente se constrói a partir da relação entre quem irá habitar e aquilo que já existia antes. Neste terreno, localizado em Santo Antônio de Lisboa, Florianópolis, esse vínculo se apresenta de forma especialmente profunda, como memória viva que foi cultivada ao longo do tempo, onde a flora local, plantada pela mãe de um dos moradores, permanece como presença afetiva e estrutural. Entre essas espécies, destaca-se a palmeira-juçara, o Piná, que dá nome à casa e sintetiza essa relação.   

Ao mesmo tempo, surge o desejo de uma arquitetura que não se apoiasse em grandes planos de vidro para dialogar com o entorno, mas que encontrasse na introspecção e na solidez uma forma de conexão mais íntima com o jardim. Assim, o projeto se constrói por meio de volumes mais fechados, onde a relação com o exterior acontece de maneira controlada, através de aberturas precisas, rasgos e passagens.

As condicionantes do terreno, como o desnível longitudinal, a porção de Mata Atlântica preservada e a orientação solar em buscar do norte, foram determinantes para a implantação do programa. O acesso se dá pelo nível mais baixo, onde a garagem se configura como um volume em concreto aparente, quase como uma extensão do próprio solo. A partir daí uma escada conduz ao pavimento térreo, onde encontram-se as áreas sociais e de serviço, além de um quarto de hóspedes com caráter autônomo. No pavimento superior, organizam-se as áreas íntimas, com três dormitórios, salas de TV e escritório.

O conjunto se apresenta inicialmente como um bloco sólido, que se fecha apara a rua e se abre para o interior do lote. Esse volume é então fragmentado em blocos independentes, conectados por um eixo de circulação claramente definido e marcado na volumetria. Deslocados no sentido transversal, esses cubos autônomos se assentam ao terreno, ajustando-se à topografia.

Assim, a casa não busca se diluir na paisagem, mas estabelecer com ela uma relação de contraponto harmônico. O piso em tijolo percorre os espaços, criando fluxos livres e contínuos que contrastam com a rigidez dos volumes. A vegetação envolve o projeto, tocando-o somente com as sombras que se deslocam ao longo do dia. Na sala de estar, uma grande rede suspensa no pé-direito duplo se apresenta como espaço de contemplação dessas aberturas, um gesto leve e lúdico que tensiona-se com a rigidez dos volumes. As varandas externas também são adicionadas aos blocos, como apêndices.

A casa Piná representa uma pausa no tempo, como um refúgio de ordem e tranquilidade em meio à natureza.

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